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Mostrando postagens de Agosto, 2013

(es)

Espero que a espera espere
Que a esperança de esperar
Se esparrame em espasmos
Se estilhasse num esmero
E esgane quem deixou o esperançoso
Esquecido

Fluxo dormente

Às vezes, pouco antes de dormir, identificado um sentimento puro dentro do coração, que de tão bonito tenho dó de deixar de escrever porque estou cansada, o sono vem vindo, me invade aos poucos e esse amor relaxa todos os meus músculos, por último os do meu rosto quando percebo que estou sorrindo, e quando me sinto assim sempre parece que estou escrevendo mesmo que eu já esteja dormindo, desenhando as letras no papel e aproveitando cada pulsar do que chamo de amor borboleta, por ser colorido e efêmero, só acontece quando o mundo inteiro se apaga e eu continuo iluminando um cantinho por estar calma, tranquila e satisfeita com cada detalhe, até mesmo com os defeitos daquilo que me cerca numa espécie de aceitação plena, a calmaria depois de um grande prazer.

A piranha sueca

Você está lá, meio que de bobeira, vendo TV com o tablet ou o celular por perto, ou quem sabe na frente do computador, insone, e não resta nada mais além de abrir aquela página maldita engolidora do nosso tempo chamada Facebook. Ah, como é bom ocupar o nosso precioso tempo com umas fofoquinhas de conhecidos, não acha? Dito isso, preciso confessar algo aqui: me considero um pouco stalker. Nada muito grave, não a ponto de incomodar as pessoas com isso, gosto apenas de ficar navegando em perfis alheios ou de conhecidos de longa data com quem perdi o contato. Em outras palavras, gosto de ficar bem informada sobre como as pessoas estão levando suas vidas.
Outro dia eu estava numa onda dessas e percebi que uma conhecida estava se despedindo demais de todos e que havia acabado de se casar. Só a parte do casamento já me deu um frio na espinha – imagina, será que, só porque casou, ficará trancada em casa, sem poder trabalhar nem sair com os amigos? Fiquei acompanhando uns dias o perfil dela (…

Anoitecendo

O entardecer cinza alaranjado entra pela janela do quarto. Mas como pode um cinza ser alaranjado? Imagino que esse seja um grito do sol contra as nuvens que o escondem, que insistem em tampar os tons de amarelo, alaranjado e azul que se misturam tão bem nesse final de inverno, que de tanto frio e depois de tanto calor deixou as árvores loucas e fez com que as azaleias no meu jardim florescessem bem antes do tempo. Meses antes, elas devem estar tão ansiosas quanto eu pela chegada da primavera, só que, ao mesmo tempo, os ares de outono atacam também as árvores que perdem folhas aos montes e enfeitam as calçadas – uns chamam de sujeira, mas para mim é enfeite.
Esses dias ventava muito mas eu não estava aqui, caminhava em um gramado há 150 km de casa sem saber muito bem para onde ia, como quem segue o instinto animal, a necessidade primeira de andar. Fazia sol e tudo estava colorido sob a luz dura do início da tarde, penso que o tempo congelou enquanto eu caminhava, éramos eu e as folha…

Zona de desconforto

Num piscar de olhos vi dezenas de caminhos ramificados diante de mim e fiquei com medo, logo eu que sempre abominei a rotina e me dividi em tantas, que me orgulhava em não saber o dia de amanhã, poder respirar tranquila e em seguida sair correndo até anoitecer, tive um medo diferente, nada desesperador, apenas prático, como se de repente a idade se multiplicasse dentro de mim e me agarrasse, as possibilidades se desmoronando enquanto estou amarrada na cadeira, nenhum músculo se move, congelo na zona de conforto, quando foi que me escondi assim? agora quero sair, como ser escritora sem ver gente, sem ouvir conversas no ônibus, sem vasculhar olhares de desconhecidos, sem sentir cheiros, ouvir vozes, sentir raiva, sair correndo, se perder, se achar e se perder para nunca mais se achar?