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Mostrando postagens de 2010

Presentes de Vertigem

Sou um tolo
Que me ensinou
No sonho fraqueza
Moldar com palavras
A dor de existir.
Estar-se no mundo
Claramente saber-se
Plenamente vazio
E ainda ser-se.
Deixar algo ao mundo
Me deixe
Póe isso pra fora
Num escrever luta
Escrever fruição
E encontrar, ao fim
Um nada cheio de si
Na contramão.

[16 de dezembro de 2010]

Te olhei
Como quem olha o futuro
Ardente
No sonho passo a passo
Moldado
Um mundo tão lindo que
Pra mim
Agarro e copio ao meu modo
Sem medo
Te admiro na louca fantasia
E vivo
Dias que mal sei ao certo
Mas são
Fonte de tudo que amo
Mais e
Mais

[27 de dezembro de 2010]

Só quando desliguei o abajur percebi que estava amanhecendo. É sempre assim, me distraio, fico no meu canto e quando vejo já é hora de ir.

Agora é tempo de sair da casca, vamos lá. Um espírito não é ao todo - é-se aos pedaços.

Quero lançar meus pedaços.

Existem frases ao vento, fases ao vento e o que fazes ao vento.

Eu vou voar.

Sobre a Loucura em Mim

Acordar cedo e chegar no horário. Nunca esquecer-se e ser perfeito. Ir até o fim e não se arrepender. Todas as escolhas certas. Não gritar desesperadamente. Nunca chorar sem motivo. Seguir as regras. Comer bem todos os dias. Fazer sempre as mesmas coisas nos mesmos horários. Rotina. Organização. Ser metódico. Ser hipocondríaco. Ser hipócrita.

Estar sempre de bom humor. Sempre disponível para tudo e todos. Não ter vida social. Não xingar. Não criar uma lesma no banheiro. Não mudar de idéia tão rápido. Seguir um caminho preciso. Ter salário fixo. Décimo terceiro salário. Tirar férias. Viajar em todos os feriados. Telefonar com frequência para os amigos. Dar satisfação. Não passar horas no computador. Não magoar. Não machucar. Não tirar sarro.

Carro do ano. Roupa do ano. Cabelo do ano. Cor do ano. Namorado do ano. Filme do ano. Livro do ano. Casa do ano. Vida de merda.

A grande loucura é não estar louco.

[17 de dezembro de 2010]

Hoje sou das coisas que desconheço
Das ondas que sinto
Alegrias alheias
Emoções de futuro
A dúvida como
Um leque de opções
Amo tanto
Que nunca sei amar
Quem amar
O quanto amar
Abrir os braços
E sofrer um pouco
Numa onda reversa
Que vai me engolir
Sou imensa, gigante
Quando, pelo sonho,
Vista de perto

[09 de dezembro de 2010]

Você, que vive como eu, que respira, que sufoca, que se borra de medo... Você deveria saber o que me aflige tanto. A ânsia que não sai, que só machuca, que só corroe por dentro, você deveria saber tão bem quanto eu o que me aflige. Você que pensa tanto quanto eu, que passa horas pensando e doendo e finge que nada aconteceu. Você sabe, não sabe?

O que me aflige é o esforço em vão.

E a aflição é também um esforço em vão.

[21 de outubro de 2010]

Na escritura sou-me vaga
Tive medo e não parei
Hoje olho-me e sei
Que imagem não é mágoa

Escondida, por assim dizer
Em retratos de sombra e luz
Galhos secos e azuis
Da árvore que cansou de crescer

Hoje gosto amanhã esqueço
Intenso amor efêmero
De mim desconhece o gênero
Daquilo que não mereço

Na noite os sons todos são um só
Fecho os olhos e para o sonho levo
Melodias que um dia criar quero
Em escalas de menor dó
O silêncio que fica sempre me atormenta. Penso então em como é difícil chegar até vocês, atingi-los. Afinal, a solidão de deixar-me ficar aqui dia após dia é compenetrantemente inútil. Sei disso e aceito, sabendo que será impossível atingi-los sem que eu seja a última opção.

Queria

Que me olhasse
Fundo
Que me entendesse
Raso
Que amasse
Muito
Qualquer besteira que
Faço

Sonha comigo
O sonho
Vive junto
Poesia
Nesse mundo
Medonho
Preenche uma vida
Vazia

[26 de março de 2010]

A vida é um vazio eterno, uma louca tentativa de viver novamente o que já passou. Antes de dar um passo é preciso saber que o mesmo passo nunca mais poderá ser dado, nem o mesmo caminho feito. Nem a mesma roupa, o mesmo cabelo, o mesmo jeito de andar, o mesmo humor, a mesma companhia. O mesmo estado de espírito, o mesmo dinheiro no bolso, os mesmos carros passando, o mesmo susto, a mesma música tocando. O mesmo suor no corpo, a mesma fome, o mesmo desejo, o mesmo sentimento, o mesmo lixo no chão, a mesma chuva caindo, a mesma lua no céu, o mesmo você.

Nunca mais agora será igual a qualquer outro instante.

Lançamento do Livro "Proibido Ler de Gravata"

No dia 28 de outubro (quinta-feira), às 19h30 na Livrarias Curitiba Megastore do Shopping Estação será lançado o livro "Proibido Ler de Gravata". A antalogia reúne textos produzidos durante os encontros da Confraria de Escritores de Ficção Cinetífica. Entre os autores está Carlos Alberto Machado, um dos principais incentivadores de eventos de ficção cinentífica em Curitiba, como o JediCon, Star Trek, Steampunk, entre outros.

[29 de setembro de 2010]

Caminho estreita
Faço valer os juízos
Não para me obrigar
Mas para me permitir
Hoje, uma data qualquer
Nasce do nada e é
Hoje
A falta de tudo que sobra
Vazio sim, e mundano
Já poesia porque mais nada
Hoje
Sabe-se que dói
Porque ontem tudo estava bem
Na linha do beijo certeiro
Encontra o carinho
O encontro é compreensão
Alguém me tira da teoria
E me faz prática
E só me leia como sou

[20 de agosto de 2010]

Nas profundezas de uma vertigem, ela dormia e sonhava qualquer coisa magnifica da qual não se lembrará depois de acordar.
- Incrível, não acha?
- O quê?
- Como é bela enquanto dorme.
- A pessoa dormindo é a essencia de si mesma, é tudo de mais autêntico que possa existir.
- No sonho ela suspira.
- Suspira viva também.
- A moça ainda não está morta.
- As horas passarão e ela não despertará.
- Como sabe?
- Foi a escolha dela.
- Sonhará assim eternament?
- Quem sabe? Ficou no sonho tanto tempo que tem medo de voltar.
- Viver é realmente terrível.
- Sonho também é. Sonhar para sempre é uma dor insuportável. O problema dessa moça é voltar depois de sonhar demais. Pense que em algum momento, depois de desperta, ela terá que encarar os fatos de sua vida. Viver é sentir dor todos os dias. Descobrir-se vive, mas vivo mesmo, encarar esse fato com a profundidade que ele tem, é um caminho sem volta.
- Então essa moça nunca deve despertar!
- Não podemos interferir. Um belo dia ela acordará com a sensação de um so…

A Menina de Uniforme

Tão igual a qualquer uma, estava sentada na escadaria de uma velha casa, uma menina de uniforme. Mala nas costas, rabo de cavalo, livro velho na mão. Brochura dobrada ao meio, lia a página, virava da par para a ímpar num misto de tédio e interesse. Vivia a espera divertida, o bom livro na situação ruim. Fino era, provavel ser infanto-juvenil.
Calça azul e camiseta branca, tantas outras passam mas só ela sentou-se para ler. Já sabia ler, grande era, devia saber sonhar também. Livro amassado, páginas amareladas, talvez meladas de café por alguém. Num mundo qualquer, talvez um amor platânico, infantil e proibido. Talvez correndo atrás de um coelho e dando de cara com um chapeleiro maluco.
A vida longe da sombra fresca era um mistério, mal se sabia andar fora dali. Enquanto lia, tão igual era única e bela como uma fruta nova, como um livro que se dá sem vergonha. Era ela sim, fora do seu corpo, inteira.
[27 de janeiro de 2010]

Vivo com a morte de perto, a sinto com certa frequência. Sei que a qualquer momento algo pode me atravessar e furar meu corpo frágil. Sei que vou cair e que minha última conquista será morrer.

Por algum motivo sempre senti tal proximidade com a morte, como se fosse morrer cedo. Acredito que é por isso que sinto a vida com tanta força. Me é impossível negar que sinto a vida, as pessoas próximas. Sinto presenças e energias que não sei se todos sentem. Eu simplesmente sei distinguir as pessoas só por estar perto delas.

Tenho pensado na ruptura da vida com certa frequência e posso dizer que tenho mais medo de perder as pessoas do que de morrer.

Eu amo profundamente quem amo e essa é a única coisa que sei fazer, já que não sei expressar amor com precisão. E plageando Caetano, "em outras palavras sou muito romântico".

Eu Despedi Meu Patrão

Essa música é o hino da minha vida, com certeza.



-Eu Despedi O Meu Patrão!
Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)
Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vazia
Eu despedi o meu patrão...
-Eu Despedi O Meu Patrão!
Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)
Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vadia
Eu despedi o meu patrão...
-Eu Despedi O Meu Patrão!
Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)
Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode pagar
Nem pela vida mais vazia
Eu despedi o meu patrão...
Eu despedi o meu patrão
Desde o meu primeiro emprego
Trabalho eu não quero não
Eu pago pelo meu sossego...(2x)
Ele roubava o que eu mais valia
E eu não gosto de ladrão
Ninguém pode …

Kitchen (Banana Yoshimoto)

Mais uma resenha minha no blog Bungaku, confira!

http://bungakuuu.blogspot.com/2010/01/kitchen-de-banana-yoshimoto.html

Paulo Leminski por Paulinho Boca de Cantor

Continuando com a minha descoberta de Leminski, um post com a música "Valeu", interpretada por Paulinho Boca de Cantor.

Valeu

dois namorados olhando o céu
chegam à mesma conclusão
mesmo que a Terra não passe da próxima guerra
mesmo assim, valeu

valeu encharcar esse planeta de suor
valeu esquecer as coisas que eu sei de cor
valeu encarar essa vida que podia ser melhor
valeu
valeu

Aproveito o post para indicar um ótimo blog: Poesia Musicada.

Eu li o Paulo Leminski

Algo maravilhoso aconteceu: eu conheci o Paulo Leminski. Naturalmente eu já tinha lido alguns livros dele (menos Catatau, parei nas primeiras páginas), mas nunca tinha me deparado com a figura dele. Infelizmente não tenho idade suficiente para tê-lo conhecido pessoalmente, porém me sinto muito feliz por ele ter nascido aqui em Curitiba.

"O Bandido que Sabia Latim", biografia escrita por Toninho Vaz, é um livro com personalidade. Acho que não preciso falar sobre o Leminski aqui, afinal não quero estragar a experiência de ninguém no caminho para a descoberta. Falarei sobre a biografia.

Ao falar de uma pessoa como Leminski o biógrafo tem que ser muito bom - nesse caso ele teve a sorte de conviver com biografado em questão. O que se deu então foi um livro cheio de força, esta advinda não apenas da história contada mas sim da maneira como foi contada. Vaz lançou mão de pitadas de humor e também de declarações pessoais sobre seus encontros com o poeta. E eu, que normalmente não &…

Minhas resenhas no Bungaku

A partir de agora as minhas resenhas sobre literatura japonesa serão publicadas também no blog Bungaku, no qual Sara F. Costa, coordenadora e idealizadora, reúne textos relacionados aos mais veriados títulos e autores japoneses. A iniciativa tem o apoio do Centro de Línguas e Culturas Orientais da Universidade do Minho, Portugual e é um dos únicos espaços na Internet onde é possível encontrar tantas informações reunidas sobre o mesmo assunto - em português, claro.

A primeira resenha a aparecer é sobre o livro "A Casa das Belas Adormecidas", de Yasunari Kawabata. Aí vai o link para quem quiser dar uma olhada: http://bungakuuu.blogspot.com/2009/12/casa-das-belas-adormecidas-yasunari.html